A literatura “ajuda a construir a identidade. É fundamental. Se eu pensar que a ideia de democracia, a cultura humanista, a valorização da ciência, a relação com o outro, se regem por um determinado código de ética e de valores, tenho de defender o acesso aos bens culturais, um direito na Declaração Universal dos Direitos do Homem. E tenho de aceder aos cânones dessa cultura. Desde o Homero, desde a Epopeia de Gilgamesh [poema da antiga Mesopotâmia, actual Iraque] que trata da condição humana, da relação interpessoal e a ideia da viagem, que é a ideia de conhecer, ir para o desconhecido, ir para o medo. E depois os interditos: o suicídio, o incesto, a sexualidade, os valores. Todos os livros canónicos são uma preparação para a vida. E, se pudermos, ler os clássicos das várias culturas. Porque somos isso tudo.”
Este texto é importante para quem gosta de ler, mas a mim toca-me especialmente na questão da infantilização das leituras para as crianças. O que me parece agora em relação a muito do que se publica para este público, é que existe um cuidado extremo com a imagem, o que resulta em ilustrações lindíssimas mas quanto às histórias (quanto a mim que não sou especialista), são fracas muito fracas.
Acabo sempre por ir aos clássicos da literatura infantil, os tais que metem medo, que nos fazem sentir pena, chorar. Mas não é isto mesmo para que serve a literatura!
Boas leituras.
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